Pular para o conteúdo principal

Dr. Lucas Soares – Neurologista em Belo Horizonte – MG

Dr Lucas Soares Pires Neurologia

CRMMG 94551

Enxaqueca

Enxaqueca: causas, sintomas, diagnóstico e tratamento

A enxaqueca é uma das condições neurológicas mais comuns no mundo, afetando milhões de pessoas e causando impacto direto na qualidade de vida, produtividade e bem-estar. Diferente de uma dor de cabeça comum, a enxaqueca é uma doença neurológica crônica, com crises intensas que podem durar horas ou dias.

Este artigo explica, em linguagem simples, tudo o que você precisa saber sobre enxaqueca: sintomas, causas, tipos, fatores de risco, quando procurar um médico, opções de tratamento e como melhorar sua qualidade de vida.

Se você sofre com dores de cabeça recorrentes, este conteúdo ajuda a entender o que está acontecendo e quando buscar avaliação com neurologista.

Fatos sobre enxaqueca

Dados de associações médicas e da OMS ajudam a entender a dimensão do problema:

  • Entre 15% e 20% dos brasileiros convivem com enxaqueca.
  • Ela é mais frequente em mulheres, principalmente entre 30 e 50 anos, período da vida com maior carga de trabalho, responsabilidades e estresse, o que piora ainda mais as crises.
  • Está entre as principais causas de procura de serviços de emergência e consultas com neurologistas.
  • Em alguns casos, pode estar associada a um risco maior de AVC, principalmente em pessoas que têm enxaqueca com aura e hábitos como tabagismo ou uso de anticoncepcionais sem avaliação médica.
  • Estudos mostram que apenas metade dos pacientes recebe diagnóstico correto, o que significa que muitas pessoas convivem com dor sem saber que têm enxaqueca.
  • Mais de 50% dos pacientes não fazem o tratamento adequado, seja por falta de acesso, informações incorretas ou uso repetido de analgésicos comuns, que podem piorar as crises.
  • A OMS considera a enxaqueca a segunda condição que mais causa perda de produtividade e qualidade de vida no mundo.
  • Estima-se um prejuízo global de quase 1 trilhão de reais por ano por faltas no trabalho e redução de desempenho por causa das dores.

Esses dados mostram que a enxaqueca não é apenas uma dor de cabeça: é um problema de saúde pública.

O que é enxaqueca?

A enxaqueca é um distúrbio neurológico caracterizado por crises de dor intensa, geralmente latejante, frequentemente acompanhadas de outros sintomas como:

  • sensibilidade à luz (fotofobia)
  • sensibilidade ao som (fonofobia)
  • náuseas ou vômitos
  • dificuldade de concentração
  • fadiga intensa
  • piora da dor com atividades físicas

As crises podem durar de 4 a 72 horas, e variam em frequência: algumas pessoas têm episódios mensais, outras semanalmente e, em casos mais graves, diariamente.

Não é “frescura”: é uma doença real do cérebro

Estudos neurológicos mostram que a enxaqueca envolve:

  • hiperexcitabilidade do cérebro
  • alterações em neurotransmissores como a serotonina
  • inflamação neurovascular
  • ativação do sistema trigeminovascular

Ou seja, é uma condição médica real, com mecanismos bem estabelecidos pela literatura científica.

Quais são os principais sintomas da enxaqueca?

Embora possa variar de pessoa para pessoa, os sintomas mais frequentes são:

1. Dor de cabeça intensa

  • Tipo pulsátil ou latejante
  • Predominantemente unilateral (em um lado da cabeça), mas pode mudar de lado
  • Piora com esforço físico ou movimentos

2. Náuseas e vômitos

Presentes em muitas crises e, com frequência, impedem que o paciente se alimente ou trabalhe.

3. Sensibilidade à luz e ao som

Muitos pacientes buscam ambientes escuros e silenciosos durante as crises.

4. Alterações visuais (aura)

Nem todo paciente apresenta aura.
Quando presente, os sintomas podem incluir:

  • pontos brilhantes
  • linhas em zigue-zague
  • perda parcial da visão
  • sensação de “imagem tremida”

Esses sintomas visuais geralmente duram entre 5 e 60 minutos.

5. Desconforto cognitivo e emocional

Durante e após a crise, podem ocorrer:

  • irritabilidade
  • dificuldade de concentração
  • sensação de “cansaço mental”
  • sonolência

6. Sintomas associados

aumento da sensibilidade ao toque no couro cabeludo

tonturas

dormência ou formigamento

dor no pescoço

Quando devo me preocupar com a enxaqueca

A enxaqueca, apesar de comum, tem sinais de alerta que merecem atenção especial. Procure um médico com urgência se houver:

  • confusão mental, dificuldade para falar ou perda de força durante a dor
  • mudança importante no padrão da dor após muitos anos
  • início de enxaqueca após os 60 anos
  • dor que começa de forma muito intensa e rápida
  • dor que piora ou melhora muito com mudança de posição
  • enxaqueca desencadeada por esforço físico, tosse ou espirro
  • piora progressiva das dores ao longo do tempo
  • dor muito forte ao redor do olho, com lacrimejamento e secreção nasal
  • dor após batidas na cabeça sem avaliação médica
  • uso frequente de analgésicos (mais de 10 a 15 dias por mês), o que pode causar dor rebote

Esses sinais ajudam a diferenciar uma crise de enxaqueca de outras condições que precisam ser investigadas rapidamente.

O médico especialista em enxaqueca é o neurologista

Dr Lucas é medico especialista em neurologia que realiza tratamento de enxaqueca e outras dores de cabeça, formado pela Faculdade de Ciências Medicas de Minas Gerais com enfoque em neurologia durante sua formação e especialização em neurologia no Hospital Santa Casa de Belo Horizonte em uma das residências mais antigas de neurologia do país.

Tipos de enxaqueca

A International Headache Society classifica a enxaqueca principalmente em dois tipos:

1. Enxaqueca sem aura

É o tipo mais comum. A dor aparece sem alterações visuais ou neurológicas prévias.

2. Enxaqueca com aura

Crises acompanhadas de sintomas visuais, sensitivos ou de fala antes da dor.

Além desses, também existem:

  • enxaqueca crônica: dor de cabeça em mais de 15 dias por mês por 3 meses
  • enxaqueca menstrual: relacionada ao ciclo hormonal
  • enxaqueca vestibular: associada a tonturas intensas
  • enxaqueca hemiplégica: rara, envolve fraqueza temporária em um lado do corpo

Quais são as causas da enxaqueca?

A enxaqueca é multifatorial. Entre os principais fatores, destacam-se:

1. Genética

A maioria dos pacientes tem histórico familiar. Estudos mostram que filhos de pais enxaquecosos têm risco aumentado.

2. Alterações hormonais

Muito comum em mulheres, especialmente:

  • no período menstrual
  • durante uso de contraceptivos hormonais
  • na gravidez
  • na menopausa

Flutuações de estrogênio desempenham papel importante.

3. Fatores ambientais e gatilhos

Alguns dos mais comuns:

  • estresse
  • noites mal dormidas
  • jejum prolongado
  • excesso de cafeína ou retirada abrupta
  • alimentos ultraprocessados
  • bebidas alcoólicas, principalmente vinho
  • odores fortes
  • exposição a luz intensa

4. Estilo de vida moderno

O ritmo acelerado, uso excessivo de telas, sedentarismo e estresse crônico contribuem para maior frequência das crises.

Como é feito o diagnóstico da enxaqueca?

O diagnóstico é clínico, baseado na história e características das crises. Não existe exame específico para “confirmar” enxaqueca.

O neurologista avalia:

  • tipo de dor
  • intensidade
  • frequência
  • presença de aura
  • fatores desencadeantes
  • histórico familiar
  • impacto na vida diária

Exames são necessários?

Na maioria dos casos, não.

Exames como ressonância magnética ou tomografia podem ser solicitados quando:

  • há sinais neurológicos atípicos
  • início muito recente em idade avançada
  • piora súbita do padrão da dor
  • suspeita de outras doenças

Mudanças de estilo de vida que ajudam muito

Além da medicação, ajustes simples podem reduzir bastante as crises:

  • regular o sono
  • praticar atividade física leve a moderada
  • manter boa hidratação
  • evitar jejuns prolongados
  • reduzir cafeína
  • identificar gatilhos alimentares
  • controlar estresse
  • limitar uso de telas à noite

Muitas vezes, combinar mudanças de hábitos com tratamento médico produz os melhores resultados.

Enxaqueca tem cura?

A enxaqueca não tem cura definitiva, mas tem controle.
Com diagnóstico correto e tratamento adequado, a maioria dos pacientes:

  • reduz muito a frequência das crises
  • diminui a intensidade
  • volta a ter qualidade de vida
  • evita uso excessivo de analgésicos

Quando procurar um neurologista?

Você deve buscar avaliação especializada se apresenta:

  • dor de cabeça que se repete semanalmente
  • crises que atrapalham trabalho, estudos ou vida social
  • uso frequente de analgésicos
  • piora progressiva da dor
  • sintomas neurológicos associados
  • dor muito intensa, “diferente de tudo”

Quanto antes iniciar o tratamento, melhor o prognóstico

Conclusão: você não precisa viver sofrendo com enxaqueca

A enxaqueca é uma doença real, comum e tratável. Com o acompanhamento correto, é possível retomar a rotina, reduzir as crises e melhorar a qualidade de vida.

Se você se identificou com os sintomas descritos, o ideal é agendar uma consulta com um neurologista para avaliação detalhada e início do tratamento mais adequado para o seu caso.

Quanto antes tratar, menor o impacto da enxaqueca na sua vida.

Para ler também:

Uma resposta

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *