Dr Lucas Soares Pires Neurologia
CRMMG 94551

Esquecer onde colocou as chaves, entrar em um cômodo e não lembrar o que ia fazer ou demorar alguns segundos para recordar o nome de alguém são situações comuns do dia a dia. Esses pequenos lapsos fazem parte do funcionamento natural do cérebro.
No entanto, quando o esquecimento começa a se tornar frequente ou interfere nas atividades diárias, muitas pessoas passam a se preocupar com a possibilidade de doenças neurológicas, como demência ou Alzheimer.
A memória é uma das funções mais complexas e importantes do cérebro. Ela permite armazenar experiências, aprender novas habilidades, reconhecer pessoas e tomar decisões. Quando algo afeta esse sistema, a qualidade de vida pode ser impactada.
A boa notícia é que nem todo problema de memória significa doença. Em muitos casos, o esquecimento está relacionado a fatores como estresse, ansiedade, falta de sono ou excesso de estímulos.
Neste artigo você vai entender:
- O que é memória e como ela funciona
- Quais são as causas mais comuns do esquecimento
- Quando a perda de memória pode indicar um problema neurológico
- Como melhorar a memória naturalmente
- Quando procurar um neurologista

O que é memória e como ela funciona
A memória é a capacidade do cérebro de registrar, armazenar e recuperar informações.
Esse processo acontece por meio da comunicação entre bilhões de neurônios. Quando aprendemos algo novo, o cérebro cria conexões entre essas células nervosas. Quanto mais utilizamos uma informação, mais forte essa conexão se torna.
Por isso, atividades que estimulam o cérebro ajudam a preservar a memória ao longo da vida.
Existem diferentes tipos de memória:
Memória de curto prazo
Responsável por guardar informações por alguns segundos ou minutos.
Exemplo: lembrar um número de telefone que acabou de ouvir.
Memória de longo prazo
Armazena informações por períodos longos, como lembranças da infância ou conhecimentos adquiridos.
Memória episódica
Relacionada a eventos pessoais, como viagens, aniversários e acontecimentos marcantes.
Memória semântica
Relacionada ao conhecimento geral, como fatos, conceitos e informações aprendidas ao longo da vida.
Com o passar do tempo, é natural que o cérebro esqueça parte das informações. Esse processo faz parte da chamada curva do esquecimento, descrita pelo psicólogo alemão Hermann Ebbinghaus, que demonstrou que o cérebro tende a perder informações que não são revisadas ou utilizadas.
Esquecimento ocasional é normal?
Sim. Pequenos lapsos de memória são comuns em qualquer idade.
Alguns exemplos incluem:
- esquecer onde colocou objetos
- demorar para lembrar o nome de alguém
- esquecer um compromisso ocasionalmente
- entrar em um ambiente e esquecer o que ia fazer
Esses episódios geralmente estão relacionados à distração, cansaço ou excesso de tarefas.
Mesmo com o envelhecimento, é normal que o cérebro demore um pouco mais para recuperar informações. No entanto, isso não significa necessariamente doença.
A principal diferença entre o esquecimento normal e um problema neurológico é que, no envelhecimento saudável, a pessoa costuma lembrar da informação depois de algum tempo.

Principais causas de esquecimento
Diversos fatores podem interferir na memória. Em grande parte dos casos, eles estão relacionados ao estilo de vida.
Estresse e ansiedade
O estresse prolongado aumenta a produção de cortisol, um hormônio que pode prejudicar áreas cerebrais responsáveis pela memória e pela concentração.
Pessoas que vivem sob pressão constante podem apresentar:
- dificuldade de concentração
- sensação de mente “sobrecarregada”
- lapsos de memória
- dificuldade de foco
Falta de sono
Dormir mal é uma das principais causas de memória fraca.
Durante o sono profundo, o cérebro organiza e consolida as informações aprendidas durante o dia. Quando o sono é insuficiente, esse processo não ocorre corretamente.
Isso pode causar:
- dificuldade de aprendizado
- redução da concentração
- esquecimento frequente
Excesso de informações
Vivemos em uma era de estímulos constantes: redes sociais, notificações, mensagens e vídeos.
Essa sobrecarga de informações pode dificultar o armazenamento de conteúdos importantes pelo cérebro.
Alimentação inadequada
A alimentação tem impacto direto na saúde cerebral.
Nutrientes importantes para a memória incluem:
- ômega-3
- vitaminas do complexo B
- antioxidantes
- minerais como zinco e magnésio
Dietas pobres em nutrientes podem prejudicar o funcionamento cognitivo.
Envelhecimento cerebral
Com o passar dos anos, o cérebro sofre mudanças naturais, como redução no volume de algumas regiões responsáveis pela memória.
Isso pode levar a lapsos ocasionais, mas geralmente não interfere na independência da pessoa.

Dr Lucas é medico especialista em neurologia que realiza tratamento de enxaqueca e outras dores de cabeça, formado pela Faculdade de Ciências Medicas de Minas Gerais com enfoque em neurologia durante sua formação e especialização em neurologia no Hospital Santa Casa de Belo Horizonte em uma das residências mais antigas de neurologia do país.


Quando o esquecimento pode ser preocupante
Embora o esquecimento ocasional seja comum, alguns sinais indicam que é importante procurar avaliação médica.
Os principais sinais de alerta incluem:
- esquecer acontecimentos recentes com frequência
- repetir as mesmas perguntas várias vezes
- dificuldade para realizar tarefas simples
- perder-se em lugares conhecidos
- dificuldade para encontrar palavras
- mudanças de comportamento ou personalidade
Esses sintomas podem indicar alterações cognitivas que merecem investigação.
Entre as possíveis causas estão:
- comprometimento cognitivo leve
- demências
- doenças neurológicas
A forma mais comum de demência é a Doença de Alzheimer.
Doença de Alzheimer: primeiros sintomas
A Doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva que provoca deterioração das células cerebrais.
Os sintomas iniciais costumam incluir:
- esquecimento de fatos recentes
- dificuldade de planejamento
- confusão com datas ou lugares
- dificuldade de encontrar palavras
- mudanças de humor
Com o tempo, a doença pode afetar a autonomia do paciente, tornando necessário acompanhamento médico e suporte familiar.
O diagnóstico precoce permite iniciar estratégias de tratamento que podem retardar a progressão da doença e melhorar a qualidade de vida.

Como melhorar a memória e proteger o cérebro
Algumas atitudes simples podem ajudar a preservar a memória ao longo da vida.
Exercitar o cérebro
Atividades que estimulam o raciocínio fortalecem as conexões neurais.
Exemplos:
- leitura
- palavras cruzadas
- aprender um novo idioma
- jogos de estratégia
Praticar atividade física
O exercício melhora a circulação sanguínea no cérebro e estimula substâncias que favorecem a saúde dos neurônios.
Dormir bem
Dormir entre 7 e 9 horas por noite é essencial para consolidar memórias.
Alimentação saudável
Dietas ricas em frutas, vegetais, peixes e oleaginosas ajudam a proteger o cérebro contra inflamações.
Controlar doenças crônicas
Hipertensão, diabetes e colesterol alto aumentam o risco de problemas cognitivos.
Manter essas condições controladas ajuda a preservar a saúde cerebral.
Quando procurar um neurologista
Muitas pessoas convivem com esquecimentos frequentes por anos sem procurar avaliação médica.
No entanto, uma consulta neurológica pode ajudar a identificar precocemente alterações cognitivas e orientar o tratamento adequado.
Durante a avaliação, o neurologista pode realizar:
- exame clínico detalhado
- testes de memória
- exames laboratoriais
- exames de imagem do cérebro
Esse processo permite diferenciar esquecimento normal do envelhecimento de doenças neurológicas que precisam de tratamento.
Conclusão
O esquecimento faz parte do funcionamento natural do cérebro e pode ocorrer em qualquer idade. Na maioria das vezes, está relacionado ao estresse, falta de sono ou excesso de informações.
No entanto, quando os lapsos de memória se tornam frequentes, progressivos ou interferem na rotina, é importante investigar a causa.
Cuidar da memória é cuidar da qualidade de vida.
Se você ou algum familiar tem apresentado esquecimento frequente, procurar avaliação especializada pode trazer tranquilidade, esclarecer dúvidas e permitir um diagnóstico precoce.
Perguntas frequentes (FAQ)
Esquecimento frequente é normal?
Pequenos lapsos de memória são comuns, principalmente em situações de estresse ou cansaço. No entanto, quando o esquecimento interfere na rotina, é importante procurar avaliação médica.
A perda de memória sempre indica Alzheimer?
Não. A maioria dos casos de esquecimento está relacionada a fatores como ansiedade, privação de sono ou excesso de estímulos.
Quando devo procurar um neurologista?
É recomendado procurar um neurologista quando o esquecimento se torna frequente, progressivo ou começa a prejudicar atividades do dia a dia.
É possível melhorar a memória?
Sim. Exercício físico, sono adequado, alimentação equilibrada e estímulos cognitivos ajudam a preservar a memória.
✔ Está preocupado com sua memória ou com a de um familiar?
Agende uma consulta com um neurologista para uma avaliação especializada e cuide da saúde do seu cérebro.
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